A Desintegração da Alma no Crepúsculo Tecnológico
Sobre a Obra
Há um mal-estar que permeia a existência contemporânea sem encontrar nome preciso: uma inquietação crônica, uma atenção que não permanece, uma memória que se externaliza, uma deliberação que se contrai ao ritmo da reação imediata.
Este primeiro volume da coleção A Desintegração da Alma no Crepúsculo Tecnológico propõe-se a dar voz filosófica rigorosa a esse sofrimento difuso, elevando-o da vivência muda à compreensão articulada. Valendo-se do método fenomenológico inaugurado por Edmund Husserl, o autor descreve, capítulo a capítulo, as dimensões constitutivas da desintegração: o despertar já capturado pelas notificações, a jornada fragmentada pela interrupção perpétua, a solidão que paradoxalmente coexiste com a hiperconectividade, a noite insone colonizada pelos dispositivos, a atenção sitiada, a memória externalizada nos algoritmos, a vontade heterônoma e a autenticidade anestesiada.
Cada fenômeno é examinado com precisão clínica e fundamentado no diálogo constante com a tradição filosófica, de Aristóteles e Tomás de Aquino a Kant, Ricoeur e Hannah Arendt. A tese central é que a infraestrutura digital contemporânea não altera apenas o conteúdo da experiência humana, mas intervém no próprio mecanismo pelo qual a atenção se orienta, a memória se consolida e a deliberação se efetiva, produzindo o que o autor designa, com rigor aristotélico-tomista, como desintegração da alma. Primeiro volume de uma obra projetada em quatro partes, este livro responde à pergunta fundamental: o que aconteceu?
Os volumes subsequentes investigarão as origens históricas dessa transformação, seus mecanismos sistêmicos e as possibilidades de resistência e recomposição da vida interior.

