A Desintegração da Alma no Crepúsculo Tecnológico
Sobre a Obra
Se o primeiro volume desta tetralogia formulou o diagnóstico fenomenológico da condição contemporânea e o segundo reconstituiu a genealogia das rupturas que a tornaram possível, este terceiro volume — A Arquitetura da Fragmentação: Anatomia da Desintegração — muda de registro e de método: abandona a contemplação histórica para dissecar a operação em curso. O seu propósito é o do anatomista diante do organismo enfermo: identificar os mecanismos que produzem a desintegração, as estruturas por que ela se propaga e a sequência em que o processo avança. Cinco mecanismos fundamentais organizam a investigação. A fragmentação da atenção, primeiro e mais fundamental deles, destrói a condição de possibilidade da própria experiência consciente. A externalização da memória dissolve o fio pelo qual o sujeito se reconhece como pessoa singular dotada de história própria. A subordinação algorítmica corrói a autonomia que Kant identificou como núcleo da dignidade humana e que a tradição jurídica traduziu em responsabilidade e imputabilidade. A anestesia existencial, quarto mecanismo, institui uma estrutura de evitamento sistemático que impossibilita o contato com a profundidade de que a vida moral depende. A colonização do imaginário, o mais silencioso de todos, suprime a faculdade pela qual o sujeito concebe o que ainda não é e resiste ao que é mediante a visão do que poderia ser.
O volume demonstra que esses cinco mecanismos não operam isoladamente, mas formam um sistema de reforço recíproco cuja eficácia é exponencialmente maior que a soma das partes. As consequências dessa confluência são examinadas em suas dimensões moral, linguística, política e existencial — do niilismo administrado à corrupção institucional, da fragmentação da linguagem à manipulação algorítmica da opinião pública. O diagnóstico assim aprofundado prepara o terreno para a resposta que o volume conclusivo haverá de articular.

