Deus Não Morreu
Sobre a Obra
A questão de Deus não morreu com o Deus que a modernidade assassinou. Esta é a tese de Wencesláu de Abreu Filho, desenvolvida numa investigação filosófica rigorosa e literariamente exigente, escrita para o leitor que tem perguntas sérias sobre o fundamento do ser e que os manuais de introdução e os livros de espiritualidade igualmente falham em responder.
Nietzsche anunciou a morte de Deus com a lucidez dos grandes diagnósticos trágicos — e o anúncio foi preciso. O Deus que morreu era o Deus funcional da moral burguesa, o postulado kantiano da razão prática, o relojoeiro deísta que o iluminismo havia esvaziado do seu conteúdo ontológico. Esse Deus não ressuscitará, nem deveria. O que Nietzsche não alcançou é que esse Deus não esgotava a questão.
Por detrás do ídolo permanecia intacto o fundamento que Agostinho descobriu como mais íntimo de cada ser do que qualquer relação que esse ser possa ter consigo mesmo, que Tomás de Aquino demonstrou como exigência da análise da contingência dos seres, e que Spinoza enfrentou com uma coerência geométrica cuja grandeza a obra reconhece antes de identificar o preço que ela exigiu. Esse fundamento não foi refutado pela modernidade; foi esquecido por ela.
A obra percorre as soluções que fracassaram, constrói os instrumentos ontológicos da tradição clássica e dialoga com a cosmologia contemporânea, a física quântica e o problema difícil da consciência — mostrando que o progresso científico torna a questão do fundamento mais urgente, não obsoleta. Um itinerário filosófico para quem acredita que pensar com honestidade é uma forma de responsabilidade.

